Neste caminho de “vida saudável” houve várias coisas que fui deixando de lado… Primeiro, como em qualquer dieta típica feminina: Hidratos! Hidratos incham, hidratos engordam, hidratos isto e aquilo. Ao mesmo tempo, açúcares e fritos, adeus sobremesas, croquetes, panquecas, rissóis caseiros em casa da avó, etc etc etc…

Houve uma altura em que comia assim, mas continuava com outros maus hábitos, que não, não engordam, mas que fazem pessimamente. Isto de ser saudável não é só, de todo, aquilo que comemos. Pelo menos para mim! Ser saudável são as minhas escolhas, é aquilo que faço, aquilo que não faço, aquilo que como, aquilo que bebo, a minha disposição, o meu humor…

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Nessa altura praticamente não comia hidratos, açúcares ou fritos mas fumava. Fumava imenso e muitos desses cigarros acompanhados de café ou uma bebida com álcool. Fim de tarde… “Uma cervejinha se faz favor” “Tem vinho branco a copo? Está bem fresco?” “Um café curto e um copo de água sff” Este género de frases eram diárias, assim como a preocupação em ter moedas para o próximo maço.

Várias pessoas me diziam que não entendiam, se eu tinha a mania que era tão saudável como é que fumava?? “Joana como é que tu fumas, miúda? Ainda por cima há tanto tempo, desde tão nova?” “Porque gosto”.

Sempre achei que não conseguia parar de fumar. Parar não, deixar de fumar, mesmo. Até que houve um dia de Abril em que cheguei à praia de ressaca. Enjoada, péssimo sabor na boca, meio tonta (mais que o habitual!) e com a típica dor de cabeça. Como era saudável, não tomava remédios para a ressaca passar, tinha lido que ovos ajudavam e pedi uns ovos mexidos. E um café. E um cigarrinho. Era o último do maço e pensei “Hoje não fumo mais…” Depois de uma noite em que tinha fumado mais de vinte, só me ia fazer era bem.

Nessa tarde não fumei. Tive um jantar de amigas (todas fumam) e tentei controlar-me. Ok. No dia seguinte pensei “Bem, ontem não fumei, a ver se hoje também não fumo”. E no dia seguinte igual… E na semana que se seguiu idem aspas…. Ao princípio não quis contar a ninguém. Era só um tempo sem fumar e podia sempre cair na tentação. Não me queria desiludir a mim, muito menos em público! Depois descarreguei uma aplicação e, em segredo, contava os dias sem fumo e os cigarros não fumados. A certa altura as minhas amigas começaram a reparar e eu dizia “Sim, parei mas calma! Não vamos festejar já…!”

E agora já foi quase há 6 meses (mais exactamente 172 dias e 3440 cigarros) que aquele dia de praia, ressacada e mais tonta que o habitual, me deu força para dar mais um passo em direcção à verdadeira saúde!

Hoje fiz um cocktail saudável – e sem álcool, que passei a beber muito pouco – e delicioso. Servem um parecido no Atalho Real e foi de lá que tirei a inspiração para esta bebida simbólica, que comemora uma coisa que nunca pensei conseguir fazer! Foi de um dia para o outro, sem planear, sem pastilhas elásticas, sem vapores de água, sem pensos de nicotina. Um vício de 10 anos ao qual espero nunca mais me agarrar.

Um brinde! (que isso do brindar sem álcool dá azar é só tangas!)

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Cocktail de gengibre e limão sem álcool

1 pessoa

ž  1 lata de Gingerbeer – cerveja sem ácool de gengibre, parecido com gingerale mas com mais bolhinhas e muito mais gengibre – sem açúcar (à venda em dietéticas especializadas)

ž  1 limão (sumo)

ž  1 c. chá de mel

ž  1 pitada de gengibre em pó

ž  Gelo a gosto

 

Nota: Se só conseguir encontrar gingerbeer com açúcar não junte mel, ou pelo menos prove primeiro porque há umas marcas muito doces.

 

Corte o limão ao meio, tire uma fatia para decorar e esprema o resto para uma tacinha. Junte o gengibre e o mel e aqueça até derreter. Junte um bocadinho de gingerbeer para incorporar bem o mel.

Encha um copo alto com gelo e verta a mistura de limão e mel. Junte o resto da gingerbeer até acima, decore com uma fatia de limão e sirva com duas palhinhas!